| |
Sustentabidade
vs. Imediatismo
A Guerra entre o Bem e o Mal
Por John Gaffney,
Editor Executivo (www.1to1.com.br)
Pesquisa revela opinião de profissionais de marketing
sobre investimentos em projetos com retorno imediato e em
longo prazo.
Investir em planejamento e estratégias sustentáveis
no longo prazo sempre desperta uma guerra entre o “bem
e o mal” na cabeça dos executivos de marketing.
Em um ombro, o anjo que defende o valor da marca, a participação
no mercado e o capital investido pelos acionistas sussurra:
“invista”. No outro ombro, o demônio das
vendas imediatas, da guerra de preços e do lucro em
curto prazo, murmura: “não invista”. Nos
últimos tempos o demônio do curto prazo tem ganhado
a batalha, mas a voz do anjo que defende o pensamento em longo
prazo começa a ficar mais evidente.
Um novo relatório da Association of National Advertisers
(ANA) detalha esse enigma. O resultado desta pesquisa, realizada
com 129 profissionais de marketing, revelou que estratégias
a curto prazo e reduções nos orçamentos
têm dominando o mercado publicitário. Na verdade,
dois terços dos profissionais de marketing transferiram
o seu foco para um volume maior de estratégias de curto
prazo nos últimos seis meses, como conseqüência
da atual situação econômica. Os canais
de comunicação mais tradicionais, como a televisão
e as revistas, têm sido os mais atingidos, sendo a impactados
com 20% das reduções de investimentos.
Pelo lado positivo, os profissionais de marketing vêm
medindo suas atividades de comunicação em termos
de intensidade do relacionamento com o cliente. De acordo
com o estudo, a medida considerada mais importante é
a taxa de retenção de clientes (posicionada
por 78% dos entrevistados, em comparação com
70% em fevereiro de 2007). Outros dois indicadores valorizados
por esses profissionais são a percepção
da marca e a propensão dos clientes em indicar a empresa
a outras pessoas.
“Temos visto algumas empresas investindo em estratégias
para aumentar a participação no mercado, mas
isso tem sido mais exceção do que regra. Essa
discussão interna vai de empresa para empresa. Se uma
marca pode resistir a uma turbulência como essa com
menos atividades em marketing ou com mais promoções
em curto prazo buscando preços baixos, fica difícil
de argumentar. Mas a decisão deve ser tomada, tendo
em mente o cliente, a concorrência e a pressão
sobre os custos”, afirma Bob Liodice, CEO da ANA.
O estudo descobriu que, quando as coisas acalmarem, o budget
de mídia voltará a aumentar (disseram 68% dos
entrevistados), juntamente com o budget para mídias
sociais (41%) e os investimentos para inovação
e projetos pilotos (40%). Já 63% dos entrevistados
disseram que, implementarão estas atividades de marketing
o quanto antes e 16% planeja fazê-las assim que esta
crise acabar.
“Geralmente, é uma decisão prudente fazer
cortes em situações como esta, contudo, eu aconselharia
aos profissionais de marketing a cobrirem suas apostas e a
manterem as suas opções em aberto. Não
abandonem o planejamento dos projetos nem os relacionamentos
com os clientes em longo prazo. Sejam estratégicos
em suas decisões, não reativos”, diz Don
Peppers, fundador do Pepers & Rogers Group.
Redes sociais: Estratégia em curto ou longo prazo?
Um dos pontos que estão em alta, mencionados na pesquisa,
porém ainda não testado como uma estratégia
de clientes de longo prazo são as redes de relacionamento.
“Quando foram interrogados sobre quais são as
atividades mais propensas a serem cultivadas no atual cenário
econômico, os entrevistados selecionaram: negociações
nos custos (47%), redes sociais (26%) e mais esforços
em relações públicas (23%). Don Peppers
acredita que as empresas precisam estabelecer uma maior presença
nas redes sociais em curto prazo e, futuramente, criar mais
esforços estratégicos em longo prazo. Liodice
acrescenta que as redes de relacionamento ainda são
um investimento demasiadamente “experimental”
para atribuir às metas de marketing.
Uma nova pesquisa do autor e consultor de medições
em marketing, Guy Powell, atribui às redes de relacionamento
uma visão de longo prazo. De acordo com ele, as redes
se ajustam dentro do que ele chama de “memória
da Web” (por exemplo, os links que levam a uma otimização
nas pesquisas em buscadores), que futuramente deverão
ajudar na definição de estratégias de
publicidade em longo prazo e a criar o quociente de satisfação
do cliente.
Powell diz que a iniciativa de retornar às estratégias
de clientes em longo prazo deve ser conduzida pelos altos
executivos. “Infelizmente, grande porcentagem destes
executivos de alto nível baseia-se nos resultados financeiros
atuais, deste trimestre e deste ano. Se este for o caso, os
gastos gerais devem ser reduzidos agora para se cumprir as
metas. A área de marketing também deve fazer
cortes e o que mais for necessário para ajudar a cumprir
as metas de curto prazo”, afirma ele.
As empresas devem considerar os gastos de marketing da mesma
forma que elas considerariam a construção de
um novo prédio, diz Powell. “Temos que ter o
budget aprovado antes de iniciar as escavações.
Neste caso, se os investimentos atuais de marketing irão
ajudar a empresa no ano seguinte ou daqui dois anos, essa
verba deve ser aprovada pela alta direção e
prevista dentro de um planejamento mais amplo e não
dentro do período atual”. Esse tipo de questão
deve ser respondido pela presidência da empresa: “queremos
investir em iniciativas sustentáveis, pensando em receitas
futuras, ou vamos apenas bater as metas trimestrais e anuais?”.

Voltar
|