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ENCRUZILHADA DO E-MAIL MARKETING.
Por Don Pepers e Martha Rogers
Os profissionais de marketing costumam reclamar da dificuldade
de interagir com clientes, de maneira eficaz, considerando
as ferramentas e canais disponíveis. Mas muitos profissionais
não estão prestando atenção nas
vantagens que o e-mail marketing tem para oferecer. Esta é
uma plataforma madura para construir o valor do cliente, embora
muitas empresas usem a oportunidade como uma “escavadeira”
para destruir relacionamentos valiosos desenvolvidos ao longo
do tempo.
De acordo com o relatório de março, do Forrester
Research, “E-mail Marketing Alcança a Maturidade”,
97% dos consumidores e 94% dos profissionais de marketing
utilizam e-mail. “Tanto os consumidores quanto os negócios
estão pedindo e-mail”, diz Stephanie Miller,
vice-presidente de serviços estratégicos do
provedor de serviços de e-mail Return Path. “Isso
não acontece com nenhum outro canal de comunicação.
Esta é uma grande oportunidade”.
Entretanto, atualmente a oportunidade está comprometida.
Setenta e sete por cento dos respondentes disseram que recebem
e-mails de mais. Houve um aumento em relação
aos 71% de 2003. Setenta e dois por cento apaga a maior parte
dos e-mails de propaganda sem lê-los, e apenas 5% compra
produtos / serviços oferecidos por promoções
via e-mail. O grande problema é a falta de uma estratégia
de longo prazo. “Muitos profissionais encaram o e-mail
como um canal de mídia de massa e não como uma
maneira de se conectar individualmente com os clientes”,
diz Miller.
“As empresas utilizam as mesmas táticas usadas
na mídia impressa – newsletters, cupons de desconto,
etc. – ao invés de tirarem vantagem das características
que fazem o e-mail ser a maior ferramenta de marketing da
história”, complementa Chris Baggott, co-fundador
do provedor de serviços de e-mail ExactTarget. “Quando
integrado com ferramentas de CRM, POS (Point of Sale) e Web
analytics, o e-mail pode alavancar o potencial dos dados do
cliente e proporcionar um diálogo real”. Infelizmente,
isto não tem acontecido.
Por exemplo, Baggott diz que uma grande companhia aérea
envia a ele, semanalmente, uma lista de vôos com descontos,
mas nenhum dos vôos parte de lugares próximos
de sua residência. “O resultado é que existe
muito pouca diferença entre um spam não solicitado
e esse e-mail marketing completamente irrelevante, mesmo que
o destinatário tenha feito opt-in para receber a mensagem”.
Isso é chamado “permission spam” (em alusão
ao conceito de marketing de permissão), uma tática
que muitas empresas utilizam quando apenas as receitas de
curto prazo são levadas em conta.
“Algumas pessoas pensam que quanto mais e-mails enviarem,
maiores serão os lucros”, diz Miller sobre o
fenômeno do permission spam. “Essa é uma
estratégia muito de curto prazo. Ao longo do tempo,
isso se torna algo negativo. Chegará o momento em que
você não poderá mandar mais e-mails. Seremos
forçados pelo mercado a nos tornarmos mais relevantes
e úteis aos assinantes dos nossos meios de comunicação”.
Sacrificando o valor de longo prazo
A verdade é que as empresas estão preferindo
ganhar uma pequena quantia hoje a fazer algum esforço
para lucrar muito mais amanhã. Se um cliente passar
a enxergar as mensagens como irrelevantes e parar de abri-las,
a empresa nunca mais conseguirá alcançar esse
cliente e obter valor do relacionamento com ele. O ROC™
desse cliente cairá para zero.
Vernon Tirey, vice-presidente de soluções da
Click Tactics, acredita que todo e-mail que uma empresa envia
deve ser relevante. A empresa deve planejar o conteúdo,
timing e canal corretamente. “Não importa se
a sua comunicação trata sobre um pedido, solicita
informações ou permissão para enviar
outros comunicados, esta deve construir a confiança
e o valor do cliente em longo prazo. Temos visto muitos e-mails
que geram um valor negativo”.
Tirey descreve como as coisas deveriam (e podem) funcionar
para os clientes. “Imagine uma empresa de serviços
financeiros que toma tempo e se esforça para saber
quais são as melhores taxas para o seu público,
assim como quais são as necessidades e preferências
dos clientes a respeito de produtos, serviços e comunicações.
Essa empresa analisa o seu banco de dados de clientes todas
as noites e envia mensagens de massa personalizadas (mass-customized)
para 2% dos clientes, pela manhã. Cada uma das mensagens
está devidamente adaptada àquele cliente e foi
enviada em um momento oportuno. Cada uma é relevante.
Os clientes abrem seus e-mails e a mensagem é: ‘Bom
dia! Hoje, você economizou $17,54, com o seu novo empréstimo
solicitado ontem. Clique aqui verificar a maneira mais fácil
de obter vantagens desse novo plano.’”
A perspectiva
do cliente
Os clientes reagem à estratégia de maneira muito
simples – apagam ou lêem. Não há
meio termo. “Atualmente, a marca da empresa chega até
a porta do consumidor, mas o que acontece depois é
mais interessante ainda”, diz Baggot. “Me respeite,
me ouça e tratarei você muito bem. Me ignore,
seja inconveniente, gaste o meu tempo e sofra as conseqüências.
Os clientes têm armas poderosas que vão do simples
fato de ignorar a empresa até falar mal dela por toda
a internet”.
Miller enfatiza a importância do “primeiro valor”
– o valor que um assinante percebeu no primeiro e-mail.
Esse valor pode ser destruído ou desenvolvido, dependendo
do próximo e-mail. Essa é a principal razão
para um cliente continuar fiel na leitura dos e-mails, de
acordo com uma pesquisa da Return Path. “Cada experiência
influencia a próxima experiência”, diz
Miller.
Reparando os
erros
Com benefícios tão óbvios, porque
tantas empresas não decidem mudar suas práticas?
Veja algumas táticas que Miller, Baggott e Tirey
sugerem para uma melhor interação com os
clientes: Aguarde em nossa próxima edição!
A Encruzilhada do E-mail Marketing
– Parte II.
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